sexta-feira, 27 de junho de 2014

História da Batina 3

Nos documentos posteriores ao Concílio encontramos sobretudo argumentação para convencer os padres a usar a batina nesta época de tantas contestações.
Em 1966, a Conferência Episcopal Italiana aconselha que para “vantagem pessoal do padre” e “edificação da comunidade, a batina deve ser a vestimenta normal dos padres”; o clergyman sendo reservado para as viagens ou quando for necessário por comodidade...
Neste mesmo ano, a Cúria alerta que os padres que trabalham no Vaticano devem usar a batina. E Paulo VI se lamentou em 17 de Setembro de 1969: “fomos longe demais na intenção, em si louvável, de inserir o padre no contexto social, até o ponto de secularizar sua forma de viver, de pensar, e mesmo seu hábito, com o grave risco de enfraquecer sua vocação e de ridicularizar seus compromissos sagrados assumidos diante de Deus e da Igreja”.
João Paulo II, em uma carta endereçada ao Cardeal Vigário exprime seu pensamento sublinhando mais uma vez a importância do uso do hábito, “testemunho da identidade do padre e de que pertence a Deus” ... “em um mundo tão sensível à linguagem das imagens”.
O Código de 1983 não traz modificações substanciais, de acordo com o autor do livro. Entretanto duas medidas foram tomadas que não favorecem o uso da batina: não cabe mais ao Bispo definir o hábito a ser usado em sua diocese (batina, clergyman, etc...) mas à conferência episcopal.
O Código não menciona mais penalidades para os contraventores: não usar o hábito, de acordo com o novo código, não é mais considerado um delito contra as obrigações particulares do estado religioso. Não se mudou a lei, mas é como se ela não tivesse mais que ser considerada.
Em 1999, o Papa ainda tenta convencer: “é um dever de se mostrar sempre tais como sois a todos, com uma humilde confiança, com este sinal externo: é o sinal de um serviço sem descanso, sem idade, porque ele está gravado em sua própria alma”.

História da Batina 2

O decreto de Gratien (1140) insiste em que o hábito deve ser usado em toda parte, na rua, em viagem ... Gratien comenta esta posição citando Santo Agostinho, que afirmava que freqüentemente as desordens do corpo manifestam as desordens do espírito.
O Concílio de Trento traz a famosa expressão (muitas vezes deturpada em seu sentido original): “Mesmo considerando que o hábito não faz o monge, é necessário que os religiosos vistam sempre um hábito adequado a seu estado (...)”
O primeiro Concílio de Milão (1565) impôs a cor negra e o quarto (1576) lembra a obrigação de usar a batina na Igreja mesmo quando não se use a capa.
Sixto V (1585-1590) trará, por assim dizer, a pedra final ao edifício com a Constituição “Cum Sacrosancta”, obrigando os padres a usar a batina. Impôs punições severas a quem desobedecesse. Quatro anos mais tarde esta lei será abrandada, voltando à interpretação mais genérica que prevalecera no Concílio de Trento; os padres devem usar um hábito conveniente a seu estado e de acordo com as disposições de seu bispo.
O Código de 1917 (can. 136) pede aos padres que usem um hábito eclesiástico conveniente (decentem) segundo os legítimos costumes do lugar e do Bispo. Sem outras definições mas com penalidades que podem ir até à perda do cargo ou estado clerical.
Pouco antes do Concílio Vaticano II, o Sínodo de Roma de 1960 lembra que os padres residentes em Roma devem usar a batina.

O que significam os trajes da Igreja Católica?

Não cobiçarás a batina alheia. Quando um padre sobe ao altar para rezar uma missa, ele está revestido de Cristo, deixa de ser ele mesmo. 

E cada cor, peça ou bordado de roupa do clero não é à toa: 

1. Batina 

Por baixo de tudo estão (não é o que você está pensando) a batina ou as roupas comuns. Ela é preta (que significa a morte para o mundo), tem 33 botões (a idade de Cristo) e 5 abotoaduras (as chagas de Jesus).

2. Amito

Essa peça, que cobre os ombros e o pescoço, pode ser circular ou retangular. No século 7, quando foi criado, o amito era uma espécie de capuz que simbolizava a disciplina dos sentidos e do pensamento do sacerdote.

3. Alva

A túnica branca que cobre o corpo inteiro do padre simboliza inocência e pureza. A Lady Gaga copia essa peça no blasfemo clipe de Alejandro, mas com cruzes vermelhas invertidas, o símbolo de Lúcifer. O papa desaprova.

4. Cíngulo

Cordão amarrado na cintura, símbolo da luta contra as "paixões desregradas" do mundo. Representa o voto de castidade do padre: a escolha que ele fez de resistir às tentações carnais e não fazer sexo jamais.

5. Estola

Simboliza a autoridade espiritual do padre e a sujeição a Deus. A estola é como o uniforme dos policiais, ou seja, quando o sacerdote a veste ele está "fardado", ocupado com algum dever eclesiástico.

6. Casula

Eis uma influência antiga: trata-se de uma adaptação das vestes romanas usadas nos primeiros anos da religião. Seu nome significa "pequena casa", e ela simboliza a sujeição a Deus como um fardo que não é pesado.

Quanto tempo pensei...


Preciso amar-Te pela via desconhecida do meu amor. Pois, como posso conhecer o Amor que está para além dos meus sentimentos?

Fiquei, a vagar nos meus pensamentos, me perdi na minha razão; mas só encontrei desilusão.

Saí como um louco pelo espaço, olhando os teus rastros; a fim de alcançar os Teus passos, porque só queria Senhor ganhar o Teu abraço.

Quanto tempo penei, ó amor desconhecido! Por ignorar, que mim conheces mais do que eu mesmo.

Voltei para Tua casa e lá Tu estavas; esperando-me de braços abertos, para presentear-me com os Teus abraços... Meu coração... Teu coração...

Pe. Edivânio Filho

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