sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

HOMILIA DO SÁBADO VI SEMANA DO TEMPO COMUM

A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS É A NOSSA TRANSFIGURAÇÃO.

O Tabor é um monte majestoso, alcançando 660 metros de altitude. Maravilhoso panorama se descortina do alto, vendo-se o relevo ondulado da Galiléia, o lago de Genezaré, o cimo nevado do monte Hermon, o monte Carmelo e o Mar Mediterrâneo.

Mas o Tabor é famoso por algo de mais transcendente: em seu cume ocorreu um dos principais acontecimentos da História da humanidade - a Transfiguração de Jesus.

Hoje, o Evangelho da transfiguração apresenta-nos um enigma já decifrado. O texto evangélico de São Marcos está pleno de segredos messiânicos, de momentos pontuais nos quais Jesus proíbe que se dê a conhecer o que fizera. Hoje encontramo-nos perante um “botão de arranque”. Assim, Jesus «ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem ressuscitasse dos mortos» (Mc 9,9).

Somos transfigurados por Cristo a partir do Batismo e da presença do Espírito em nós. Somos revestidos de Cristo. Para chegar a isso somos convidados a subir o monte que é Jesus. Estando na presença de Deus pelo amor, ouviremos as palavras do Pai: Este é meu Filho amado, escutai o que Ele diz. O Filho diz às palavras que ouviu do Pai.

Jesus tinha anunciado aos seus discípulos a iminência da sua paixão, mas ao vê-los tão perturbados por tão trágico fim, explica-lhes com feitos e palavras como será o final dos seus dias: umas jornadas de paixão, de morte, mas que concluirão com a ressurreição. Eis aqui o enigma decifrado. Santo Tomás de Aquino diz: «Para que uma pessoa caminhe retamente por um caminho é necessário que conheça com anterioridade, de alguma forma, o lugar ao qual se dirige».

O Evangelho da Transfiguração liga-se à Paixão, pois tira os discípulos do escândalo da Cruz, dando-lhes a visão da futura glorificação pascal. Refletindo o tema da Aliança e Transfiguração, participamos desta realidade. A obediência de Jesus deu-lhe a vitória. A meta do cristão é a transfiguração de sua fragilidade pela obediência da fé.


VII DOMINGO DO TEMPO COMUM (19 de fevereiro)

HOMILIA:

I leitura (Is 43,18-19.21-22.24b-25)

II leitura (2Cor 1,18-22)

Evangelho (Mc 2,1-12)

A AUTORIDADE DE JESUS ANTE O PECADO.

A história de Israel nos mostra a justiça de Deus, mas também a fidelidade de seu amor. Aliás, a justiça faz parte do amor. Is 43,18-21 é uma mensagem ao povo exilado, que não sabe se tem ainda um porvir.

A história do paralítico começa como uma cura um tanto pitoresca: um homem é baixado pelo teto diante dos pés de Jesus, porque a multidão entupia a porta.

O sinal que Jesus faz significa: “Para que vejais que tenho esta autoridade (e agora fala ao paralítico): Levanta-te, toma tua cama e anda”.

Um sinal é um objeto ou um fato que significam outra coisa. Geralmente, a gente já pode ver algo do significado no próprio sinal: a doença no sintoma, a felicidade no sorriso, levando em conta que os sintomas podem ser traiçoeiros e os sorrisos, falsos.

Os coríntios sentiam-se magoados porque Paulo lhes anunciara uma visita que não executou (cf. 1Cor 16,5) em decorrência dos problemas na comunidade (1,23-2,4).

A sociedade, hoje, mostra descaradamente que pretende solucionar os problemas materiais pela via do cinismo, pelo poder do mais forte. A própria medicina não hesita em se autopromover à custa da ética, recondicionando a casca, mas deixando apodrecer os valores pessoais por dentro. Há quem ache que a Igreja deveria primeiro melhorar as condições materiais, a saúde, a cultura etc., para dar maior “base” à sua mensagem “espiritual”. Mas Jesus pronuncia primeiro o perdão do pecado e depois mostra ter poder para tratar da enfermidade material. O mais urgente é livrar as pessoas do mal fundamental, o pecado. Então, a libertação total deixará raízes num chão livre da erva daninha do pecado.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

DESCOBRINDO A... PALAVRA MENTIRA

Mentira vem do Latim mentiri, “enganar, dizer falsidade”, de menda, “falha, defeito”. Dizer uma mentira não demonstra um defeito de quem fala? A palavra remendar vem daí, de re-, “para trás, de novo”, mais menda: trata-se de voltar atrás para consertar um defeito. Nem sempre se consegue, mas a intenção é boa.

Muitas pessoas gostam de se intrometer na vida alheia. Esse verbo veio do Latim intromittere, “fazer entrar, admitir”, formado de intro-, “para dentro”, mais mittere, “dirigir, lançar, mover, impelir”. Ou seja, o intrometido gosta de entrar nos assuntos dos outros.

Mentira é o nome dado as afirmações ou negações falsas ditas por alguém que sabe (ou suspeita) de tal falsidade, e na maioria das vezes espera que seus ouvintes acreditem nos dizeres. Dizeres falsos quando não se sabe de tal falsidade e/ou se acredita que sejam verdade, não são considerados mentira, mas sim erros. O ato de contar uma mentira é "mentir", e quem mente é considerado um "mentiroso".

Temos também a intriga, que deriva do Latim intricare, “entrelaçar, emaranhar, embaraçar”, formado por in-, “em”, mais trica, “brinquedo, perplexidade, truque”. Numa intriga os fatos ficam todos enovelados, misturados, e já não se sabe o que aconteceu mesmo e o que foi inventado.

Do Latim também veio maledicência, formada por male, “mal” e dicere, “dizer, falar”. Não é preciso explicar mais nada, né?

Muitas vezes o maledicente não afirma nada, apenas insinua e deixa que a notícia se espalhe, piorando a cada vez que é recontada.

Entretanto, como em todas as questões relativas à vida, também sobre a mentira somente a Bíblia – e não quaisquer "pesquisadores da mentira" – pode nos dar a melhor orientação. Ela nos mostra que a mentira não é um mistério, conforme diz o artigo citado, mas um pecado há muito revelado. A mentira consiste em rejeitar a verdade de Deus. Sobre os mentirosos está escrito: "Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira..." (Rm 1.25). Por isso a mentira se estende por toda a história da humanidade. Ela é a culpada pela queda do homem e causa de todos os sofrimentos e de muitas lágrimas.

A mentira não tem sua origem na evolução, mas em Satanás – ele é chamado "pai da mentira". O Senhor Jesus Cristo mostrou isso de maneira inequívoca quando disse: "Vós sois do Diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas, porque eu digo a verdade, não me credes" (Jo 8.44-45). Assim, o pecado só entrou no mundo por meio da mentira, pois Satanás enganou os primeiros seres humanos através da mentira: "É certo que não morrereis... mas sereis como Deus" (Gn 3.4-5). A realidade da mentira e do pecado em si fala contra a evolução e a favor do relato da Bíblia, de que somos uma criação caída.

Mentir é contra os padrões morais de muitas pessoas e é tido como um "pecado" em muitas religiões. As tradições éticas e filósofos estão divididos quanto a se uma mentira é alguma situação permissível – Platão disse sim, enquanto Aristóteles, Santo Agostinho e Kant disseram não.

Mentir de uma maneira que piore um conflito em vez de diminuí-lo, ou que se vise tirar proveito deste conflito, é normalmente considerado como algo antiético.

Existem pessoas que afirmam que é com frequência mais fácil fazer as pessoas acreditarem numa Grande Mentira dita muitas vezes, do que numa pequena verdade dita apenas uma vez. Esta frase foi proferida pelo Ministro da Propaganda Alemã Joseph Goebbels no Terceiro Reich.

A mentira torna-se uma sátira com propósitos humorísticos quando deixa explícita pelos excessos na fala e o tom jocoso que de fato é uma mentira. Nestes casos é com frequência tratada como não sendo imoral e é bastante praticada por humoristas, comediantes, escritores e poetas.

As mentiras começam cedo. Crianças pequenas aprendem pela experiência que declarar uma inverdade pode evitar punições por más ações, antes de desenvolverem a teoria da mente necessária para entender porque funciona. De maneira complementar, existem aqueles que acreditam que as crianças mentem por insegurança, e por não compreender a gravidade dos seus atos "escapa da responsabilidade apelando para a mentira". Nesse estágio do desenvolvimento, as crianças as vezes contam mentiras fantásticas e inacreditáveis, parecidas com a mentira de Koko, a gorila discutida anteriormente, porque eles não possuem o sistema de referência conceitual para julgar se uma declaração é verossímil ou mesmo entender o conceito de verossimilhança.

Quando a criança primeiro aprende como a mentira funciona, naturalmente elas não possuem o entendimento moral para evitar fazer isso. É necessário anos observando as pessoas mentirem e o resultado das mentiras para desenvolver um entendimento adequado. A interferência da família também é imprescindível para que a criança compreenda através de bons exemplos a forma correta de agir.

A propensão a mentir varia muito entre as crianças, com algumas fazendo isso de maneira costumeira e outras sendo com frequência honesta. Os hábitos em relação a isso mudam normalmente até o início da idade adulta. Nos casos em que esta mudança não ocorre, a psicologia os define como adultos no estágio de infância psicológica.

Alguns veem que as crianças - como um todo - têm maior tendência a mentir do que os adultos. Outros defendem que a quantidade de mentiras permanece o mesmo, mas os adultos mentem sobre coisas diferentes. Com certeza a mentira de adultos costuma ser mais sofisticada, e de consequências maiores do que as contadas por crianças. Boa parte desse julgamento depende se a pessoa conta inverdades diplomáticas, insinceridade social, retórica política e outros comportamentos adultos que são tidos como mentiras.

Uma razão para que a mentira possa persistir como uma estratégia em ambientes sociais é que não é a comparação dos fatos contra alguma noção de verdade, mas em vez disso, a avaliação de se uma traição da confiança aconteceu ou não, que determina a resposta a uma mentira.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Feliz ano novo!


Há uma ânsia terrível de esperar a meia noite para ver o ano Velho ir embora e o novo chegar. E deve ser esperado a rigor, que o ano novo nos veja felizes e assim ele, o ano novo, possa se enganar e não pensar que somos pobres, que não há pobre no mundo. Todos vestidos de roupas novas... guardadas exatamente para o ano novo, porque somente se pode usar o que é novo. Tudo novinho em folha. É aparência pura e nada mais. É preciso comprar cds, dvds e o último lançamento e se deve escutar só na passagem do ano. É costume jogar da janela, sujando as ruas, papel picado como símbolo de que tudo o que é velho não serve mais e, portanto, seja lixo e passado. É o novo que revive em nós.
É dentro de nós que há um desejo de novidade que não podemos sufocar porque seria matar a esperança. É preciso que todos nós saiamos à rua, vestidos com trapos, com velhas feridas e o sangue de ontem para podermos tomar consciência de que feridas encorbeta não quer dizer que não existe. Não podemos fazer de conta que somos novos por que nos enrolamos em roupas novas, quando debaixo de nós o coração nçao só é velho, mas está velho e não tem mais nada para dar.
Acreditemos que o Senhor nos chama a sermos criaturas novas, capazes de modificar-nos e modificar os outros. Os votos de feliz ano novo que eu faço para mim e quero fazer para os outros é uma frase de João da Cruz: “Onde não há amor, coloque amor e você colherá amor”. E a outra de Santa Teresa de Ávila: “Agora começamos e procuremos ir sempre começando, cada vez melhor”. Somente assim haverá ano novo para todos nós. De outra forma, tudo será velho. Jesus nos diz o que diz para Nicodemos: “Se você não nascer de novo não entrará no Reino dos Céus”. Tenham um ano novo Feliz!



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